2.04.2015

Dia 22 de um domingo

Numa noite fria qualquer, estou em cima da cama tomando um pouco de café. Está meio amargo, mas por incrível que pareça, continua sendo mais doce do que toda a minha vida até agora. Me levanto e vou até a mesa do computador, talvez tenha alguma coisa na minha caixa de e-mail. Nada. Espere um minuto, tem algo no lixo eletrônico, uma mensagem de uma antiga e querida amiga minha.
"Querida Bella, venho através deste e-mail comunicar a morte de sua querida e melhor amiga, Jane. Gostaria que comparecesse ao velório que será realizado no domingo dia vinte e dois, assim que estiver aqui em nossa casa, irei explicar tudo, sinto muito, beijos querida. Mãe de Jane"
Eu não posso acreditar. Derrubo a xícara de café perto do meu pé direito, a xícara de porcelana fina, quebrou-se em vários pedaços, assim como o meu coração. Me vem uma vontade incontrolável de chorar e ao mesmo tempo de rir. Isso só pode ser uma grande brincadeira de Jane e sua mãe, elas sempre adoraram tirar sarro de minha cara. Começo a rir em total descontrole. Lágrimas surgem, molhando minhas bochechas enquanto as grandes gargalhadas, se transformam em gemidos de choro. Deito sobre a cama, com uma foto que havia tirado com a Jane quando éramos crianças, tínhamos uns nove anos. Era incrível. 
Dez horas da manhã e o despertador começa a tocar. Meus olhos estão inchados e há várias fotografias espalhadas sobre a cama, devo ter dormido enquanto olhava. Vou até o banheiro e molho meu rosto. Quem eu sou? No que eu me tornei? Várias dessas perguntas invadem minha mente, enquanto lembro do e-mail, todas as perguntas se calam e uma vontade insaciável de chorar começa a tomar conta de todo meu corpo. Coloco minhas mãos sobre a pia e encaro o meu reflexo no espelho. Você precisa ser forte. Você precisa ligar. Tomo um banho quente e bem rápido, visto a primeira roupa que vejo e desço as escadas rapidamente até a sala onde, se encontra um telefone fixo.
— Oi — uma voz melancólica atende
— Senhora... — minha voz falha — tia Adriana?
— Oh Deus, Bella — ouço a tia Adriana começar a chorar — o que houve com você? Faz anos que não nos dá noticiais menina 
— Eu sei tia, eu sei mas — é muito forte perguntar isso, não quero chorar, não quero que a tia Adriana ouça — o que houve com a Jane? 
— É melhor você vir aqui 
— Estou a quilômetros de distância.. o próximo voo só daqui dois dias e, meu trabalho, estou tão ocupada e...
— Jane morreu! — minha tia me interrompe fazendo-me cair de joelhos — ela era sua melhor amiga, quase sua irmã, a mãe dela está aqui perto, você é o vínculo mais forte que ela tem da filha. Não faça esse desprezo, se não vier por você, faça isso pelo menos pela Jane. Esqueça o trabalho essa semana, assim como você fez com sua família e amigos.
— Tudo bem tia — prendo a respiração para não parecer que estou prestes a cair em lágrimas — estarei aí o mais rápido possível.
O que aconteceu comigo? Me faço a mesma pergunta durante alguns minutos, jogada no chão com o telefone ao lado, e as lágrimas escorrendo direto para o chão. Isso não pode está acontecendo. faz mais de sete anos que não vou para minha casa. Parei de fazer ligações na segunda semana de trabalho, era muito corrido e sempre estava exausta até para comer alguma coisa. Fui embora de minha cidade com dezoito anos, havia conseguido ingressar na faculdade que eu tanto queria, ou achei que era o que eu queria. Aos vinte dois já estava formada e havia conseguido um emprego. Eu era uma boa colunista da maior revista de minha cidade. Ganhava bem mas, trabalhava muito, por mais que eu fosse apenas uma colunista, dava muito trabalho. Mas eu batalhei muito para conseguir estar onde estava, e minha meta era se tornar a gerente da revista. Eu era bem aceita, e bem vista por todos da empresa da revista, mas aquilo... aquilo não era tudo o que eu achei que fosse, faltava algo em mim, alguma coisa, eu me sentia vazia e triste. Achei que fosse apenas o cansaço mas, hoje vejo que não.faltava sim algo em mim, faltava as pessoas que eu era acostumada a ver e a conversar. 
Subo rapidamente as escadas e molho meu rosto. Tenho que ir ao trabalho pegar uma autorização de viagem por motivos familiares. Pego o primeiro táxi que pára. Meu trabalho fica a quinze minutos de carro e quarenta e cinco minutos se eu fosse a pé. Quando acordo muito cedo, gosto de ir caminhando mesmo, mas hoje estava atrasada e não podia chegar mais tarde.
— Bom dias senhorita Bella 
— Bom dia Silvia — Silvia, era a recepcionista, sempre me desejava bom dia, boa tarde ou boa noite. Era muito doce.
— Está muito apressada vejo — comentou
— É... o chefe está? — pergunto apressadamente 
— Acho que sim, não o vi sair ainda, chegou bem cedo hoje 
— Obrigada — saiu rapidamente e pego o elevador para o último andar. Preciso me apressar, tenho que ajeitar muitas coisas para poder viajar. O único avião mais rápido que tenho é daqui dois dias, depois, o próximo que eu poderia pegar é daqui uma semana e meia. Seria tarde demais.
— Bom dia Bella 
— Eyshila o chefe está? — vou direto ao assunto. Eyshila é a secretária particular do chefe, já tinha uma certa idade, estava beirando aos seus 60 anos, mas era muito teimosa — preciso muito falar com ele, é um assunto sério.
— Entendo — ela pega o telefone — só um momento querida — eu estou muito aflita, vejo ela discando os números lentamente, como qualquer senhora já de idade faz — Chefe, a senhorita Bella gostaria de falar com o senhor. Ok.Tudo bem.
— E então? — pergunto aflita
— Pode entrar, ele está lhe esperando — Eyshila dá o seu sorriso de sempre, as vezes parece que ela faz no automático
— Obrigada.
Saiu rapidamente e vou até o elevador, havia o botão para ir ao térreo, era ali. A última vez que fui lá, foi para conseguir o emprego.O chefe é um homem muito sério, alto e também já tinha uma certa idade. Ele dava medo. Sua voz era grossa e um pouco assustadora. 
— O que a senhorita deseja? — perguntou já fazendo movimento com as mãos para que pudesse sentar
— Preciso de uma licença para viajar 
— Hm... viajar? — Cruzou as pernas enquanto — e quando decidiu isso minha jovem? Sabe que você está trabalhando, não pode viajar a lazer 
— Minha melhor amiga morreu — falo de cabeça baixa e um pouco pensativa, eu ouvi o que ele havia dito mas, parece que as palavras entraram de um lado e saíram pelo outro
— Sinto muito — percebi que ele havia ficado constrangido — e quando será o velório? 
— Domingo dia vinte e dois, mas o voo mais rápido que tem até minha cidade, é daqui dois dias e ainda preciso ajeitar os documentos — estava quase chorando, mas tive que respirar fundo e olhar para o chefe — por favor
— Hm — foi apenas o que ele disse. Levantou-se e foi até um armário, pegou alguns documentos e um carimbo — dei-me sua carteira de trabalho senhorita — e foi o que eu fiz. Tirei-o da minha bolsa e o entreguei, ele folheou e carimbou em um lugar específico — aqui está, você tem direito de 3 semanas de licença em caso de morte de algum familiar — entregou-me minha carteira de trabalho — esses papéis é para ficar guardado, qualquer coisa que ocorrer você dentro da empresa, e você não tiver nessas três semanas, você não será prejudicada, está de licença, guarde-os. E Tenha uma boa tarde e, sinto muito.
— Obrigada.
Saí rapidamente. Já era 13:20 da tarde, nem consegui dar boa tarde para a senhora Eyshila, e muito menos para a Silvia. Apenas saí dali, eu não queria estar ali, eu queria, de uma maneira bem estranha, voltar para casa, estava com saudades, estou com saudades. 
Me apresso em meu apartamento. Coloco algumas roupas que irei precisar nessas semanas que estarei em minha cidade. Pego o passaporte e todos os documentos que talvez irei precisar. Pronto. Sinto uma vontade enorme, de abrir ligar o computador e novamente, ler aquele e-mail, algo em mim não consegue acreditar no que ocorreu com Jane. Ela era tão nova, o que houve com minha amiga? Vou no lixo eletrônico novamente e releio a mensagem. A cada palavra lida, a cada letra que eu vejo, é como se uma faca fizesse um corte em meu coração. Como se agulhas fossem enfiadas dentro de minha pele, como se minha alma precisasse gritar. Desligo o computador. Daqui dois dias eu preciso estar disposta para viajar.
Sete horas da manhã. Meu voo está marcado para as 09:15. Por que cheguei tão cedo ao aeroporto? Estou nervosa? Sim. Estou com medo? Provável. Estou triste? Não. Triste ainda não é a palavra certa, estou decepcionada comigo mesma, por que eu nunca atendi Jane quando ela me ligava? Por que meu trabalho consumia todo meu tempo e toda mina energia. Mas eu podia ter atendido, Percebi que Jane estava estranha quando comecei a trabalhar mas, foi nesse momento em que eu comecei a não ter mais tempo para nada. Nem para mim mesma. Meu voo chegou. Seis horas de viagem, seis horas cansativas, seis horas para pensar em tudo o que ocorreu nesses sete anos em que estive longe. Como a Mãe de Jane deve estar? Será que meus pais ainda se lembram de mim? E a tia Adriana, por que ela foi tão rude comigo naquele dia no telefone.
— Senhorita. Acorde Senhorita. Senhorita acorde por favor 
— Han? O que? Já chegamos? — pergunto um pouco assustada e confusa
— Sim. Já faz dez minutos que chegamos senhorita 
— Oh, eu não havia percebido que havia dormido tanto tempo — era a aeromoça que estava tentando me acordar — desculpe
— Suas malas já foram colocadas lá fora. Estamos apenas lhe aguardando para o piloto poder sair.
— Há sim. Desculpe, já estou saindo. Obrigada
— De nada e tenha uma boa tarde.
Assenti com a cabeça e sai. Já era quatro horas e quinze da tarde. Aqui estou eu. Respiro fundo e começo a andar. Preciso ligar para meus pais. Avisar que já cheguei. Pego o celular e vou na lista de chamada, "mãe". O que eu falo? Como será a situação quando vierem me buscar ou me verem? Liguei. Está chamando. 
— Filha? 
— Oi mãe — percebi uma certa emoção na voz de minha mãe
— Você está onde? 
— No aeroporto central. Poderia vir me buscar?
— Claro. Estou chegando.
Sento-me no banco. Estou nervosa. O que a mãe vai falar? O que o pai vai fazer? O que eu irei sentir quando ver Jane em um caixão. 
Passei esses dias na casa de meus pais. Foi bem tranquilo. Como havia previsto eles queriam saber por que fiquei tanto tempo sem dar noticiais. Expliquei como era meu tempo, que as vezes nem almoçava ou jantava de tão cansada ou ocupada que estava. Que já até havia tentando tirar férias para vir passar aqui mas.. nunca o chefe deixava, e eu não podia ficar desempregada. Eles entenderam, ficaram chateados um pouco, Até eu fiquei. 
Hoje é o dia. Hoje é domingo, hoje é dia vinte e dois e desde o dia em que eu voltei para casa, não fui visitar a mãe da Jane. Ela deve me odiar, do jeito que conheço a Jane, ela deveria ter reclamado de mim para a mãe. Já estava no carro, quase chegando no velório de Jane. Iam fazer no cemitério dos anjos. Nos sentamos perto da família de Jane. Havia muita gente ali, alguns eu lembrava bem de leve, e outros eu nem conhecia. Assim que o velório acabou, pouco a pouco iam indo embora, ficando apenas eu, meus pais, e a família de Jane. Mas até agora eu não sei, do que minha amiga faleceu. A mãe de Jane chegou perto de mim, pegando minha mão e me puxando para longe. Percebi que queria conversar comigo mas a cada passo que dávamos para longe de onde Jane havia sido enterrada, mas longe a mãe de Jane parecia estar de mim. Estávamos bem longe de todo mundo.
— Jane tinha câncer. Sempre teve, mas cuidávamos para não crescer. Mas teve um momento em que os remédios não estavam mais fazendo efeito, e nem as terapias. Então, o câncer a pegou de vez — nesse momento ela já estava com a voz rouca, as lágrimas não paravam de escorrer em seu rosto — ela sempre foi alegre, tentava esconder o sentimento de medo. As pernas dela começaram a falhar, não conseguia segurar o próprio corpo, sentia-se fraca o tempo todo, tinha fortes dores de cabeça. Então ela resolveu te ligar para lhe contar como estava — nesse momento ela virou-se e olhou para mim — mas você nunca atendia. Ela estava ficando cada vez mais doente, e cada vez mais triste, ela pensou que ia morrer sem poder falar com a única amiga que já teve. E foi isso que aconteceu, ela morreu mais por desgosto do que pelo próprio câncer. Quando você estava aqui, ou quando ainda ligava e dava noticias, ela estava conseguindo se manter bem mas depois... Ela só vivia triste. 
— Eu não queria — disse já em lágrimas 
— Eu sei que você não queria. Você estava ocupada demais no seu mundinho. Mas no que você se tornou? 
Aquela pergunta havia me deixado sem saída. É como se eu estivesse a tanto tempo fugindo dessa mesma pergunta, e agora, ela se veio, e com toda força. Eu ajudei a matar minha melhor amiga, eu tenho me acabado nesses últimos anos. Estou agora em cima da cama chorando, chorando em silêncio e me perguntando por que aquela pergunta havia me deixado assim. O que houve comigo? O que falta em mim? Desço para a cozinha e sento-me na mesa de jantar com minha família. Vejo todos sorrindo e rindo, aquilo era reconfortante. Me sinto bem, me sinto completa. Me sinto feliz. Era isso que eu precisava, de uma família de verdade. Jane foi embora mas, se não fosse por ela eu sempre viveria infeliz, e não saberia o que me faltava. Agradeço tanto a Jane por me mostrar que, não adianta eu ter o trabalho dos sonhos, a vida dos sonhos se minha vida não é um sonho e sim, um pesadelo. 
Jéssica de Carvalho Arrais

11 comentários:

  1. Oii , adorei teu blog. Muito lindo mesmo. Parabéns. ;*

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  2. Que texto emocionante! Você escreve muito bem mesmo.
    Gostei da "moral" do texto: não adianta ter a vida perfeita sem as pessoas que mais ama ao seu lado.
    Às vezes brinco que quando morar no exterior - tenho sonho de morar fora - nunca mais virei ao Brasil. Mas é só da boca pra fora: jamais conseguiria viver longe da família e amigos - na verdade, eu moraria longe, viria visitá-los quando desse.
    Respondendo sua pergunta no blog: sim, eu quero cursar moda :) amo esse universo.
    Gostei muito do teu blog e já virei seguidora!
    Se puder retribuir....
    Beijão <3<3

    vintageiz.blogspot.com

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    1. Achou emocionante mesmo? haushs obrigada *o*
      Verdade, tipo, não adianta ter tudo dos sonhos, se não tem quem você ama ao seu lado, sempre nos sentiremos vazios de algo.
      Eu sempre digo isso tambem, que quero ir embora e tal mas sei que, irei sentir falta de muitas coisas...
      Obrigada, em breve irei em seu blog te seguir :3 e que bom que queira fazer moda, espero que consiga \o/ muito sucesso para você.

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  3. Nossa que texto hein, eu amei, você está de parabéns
    beijos http://www.blogdaxavier.com.br/

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  4. Eu gosto de escrever historias e acho tão WOW quando encontro alguém que também escreve :')
    Adorei o seu texto, é emocionante, bem escrito, e a forma como o organiza me lembra O Melhor da Vida (ótimo livro, aliás). Bella me fez pensar um pouco mais sobre o que eu quero fazer, se aquilo realmente será bom. Sabe, eu não quero fazer como ela, viver pelo trabalho e só depois de algo triste acontecer perceber que aquilo não é vida, pelo menos não completamente. Eu queria ser jornalista, mas não só isso, trabalhar com escrita em geral, e acho que uma coluna poderia se encaixar bem nisso. Também quero ser escritora. Ainda tenho de pesquisar mais, mas até que o faça, é isso que quero.
    Fiquei com dó da Jane, pela morte dela, a principio achei que fosse realmente brincandeira ou só um sonho, mas não.

    RAW

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    1. Obrigada.
      É sempre bom ver alguém que também gosta de escrever. Realmente a Bella lembra muitas pessoas, ela mostrou uma verdadeira moral de estória. Mas as vezes, isso acontece com as gente, é a vida. Cometemos erros, só temos que saber parar de errar. Eu estou planejando fazer comunicação social jornalismo, Mas pesquise por que, para fazer jornalismo e ser escrita é difícil, é como a menina disse, se você quer ser rica, não faça jornalismo kkkkk, por que dificilmente voce será um Willians B. Patricia Poeta ou Fátima B. Mas vamos seguir nossos sonhos e nao fazer que nem a Bella, seguir os sonhos mas lembrar de nossas origens. Sucesso para você :)

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  5. Gosto muito de ler textos. A história é bem emocionante. As vezes a gente se dedica muito a um sonho, uma profissão e acaba se esquecendo dos amigos, família e quando percebemos já estamos sozinhos, infelizes. E o sonho pode se tornar um pesadelo. Bjus!

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  6. Gostei muito do seu texto. Bem escrito. Beijos.

    Beijos
    www.heyealaysa.com

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Bom se você comentar aqui por favor fale da postagem e se você seguir avise-me que esta seguindo mais por favor fale da postagem, comentários como "seguindo, segue de volta" serão totalmente ignorados, comentários ofensivos a mim ou a qualquer outro blog sera excluído e ignorado, obrigado pela atenção.
Blog II *u*
RAWR Jhessy

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